sexta-feira, 16 de março de 2012

Loucuras de março

Nota do blogueiro 1: Conforme imaginava, não é fácil manter a constância nos posts... Sei que meus milhares - na verdade, milhões... - de leitores estão sentindo falta, mas o fato é que tempo é um recurso escasso por aqui.

Nota do blogueiro 2: Para mim, esta música tem cara de festa de universidade americana... Então vai ela mesmo.

Se as águas de março fecham o verão no Brasil (mais clichê impossível...), o calorzinho de março abre a primavera por aqui. Mas o que marca este mês tão lindo e importante - não preciso dizer que este é meu mês de nascimento, né? - por aqui é a "Loucura de Março", March Madness: a fase final do campeonato de basquete universitário.


E esta é mais uma das coisas que você só entende vendo de perto, sentindo na pele... March Madness é um daqueles casos de febres periódicas bem típicos à cultura americana. A data é quase como um Thanksgiving (Dia de Ação de Graças, o maior feriado santo daqui) esportivo. Só perde para o Super Bowl em termos de audiência televisiva - até por que a final do futebol americano acontece em um único domingo. O lance é que March Madness consiste em duas semanas de basquete. Basquete universitário na veia: intenso, veloz, vibrante, divertido pacas, quase dramático.

Desnecessário dizer que nove entre dez promoções oferecidas pelo comércio nestes dias - da Best Buy à pizzaria de esquina na Main Street de Midland, dos grandes varejistas (como Sears, Macy's e afins) às concessionárias de carros de todas as cidades nos 50 Estados - se chamam... "March Madness". E os bares, então? É claro que o Dia de São Patrício, santo-da-casa na Irlanda (e padroeiro da imensa comunidade Irish nos EUA), também ajuda na bebeção explícita de cerveja. Mas é em March Madness que os bares daqui tiram o pé da lama. Imagine um happy hour que vai do meio-dia à meia-noite, com multidões grudadas às telas das TVs e uma gritaria insana em qualquer lugar que você vá. Quase isso...

Mas espere! Ainda tem mais... A palavra mais usada nestes tempos é "bracket". O dicionário, se você se der ao trabalho, vai dizer que ela significa "colchete, parêntesis, conjunto". Mas esse é o nome dado à chave que determina os confrontos mata-mata da fase final (imagine a segunda fase da Copa do Mundo ou a Copa do Brasil... There you go!).

O negócio - literalmente - é a onda de bolões que acontecem em todo o lugar. Sim, todo lugar. É como bolão de Copa do Mundo: todo mundo quer participar, e sempre rola aquela aposta (às vezes saudável, às vezes salgada). No escritório, por exemplo, custou U$ 5.

A frase mais ouvida nestes tempos é "Já fez o seu bracket?" Ou seja: já entrou no bolão? "Corra, pois as apostas acabam no tip-off do primeiro jogo da rodada-de-64!"- ou seja, ao meio-dia de quinta-feira (ontem, no caso).

"Você vai se viciar...", avisou Tara, minha fiel escudeira aqui no escritório. E ela tinha razão! Ao brincar de pitonisa e tentar advinhar quais são os times/universidades que avançam nos confrontos diretos (começando com 64 escolas, daí 32, daí o Sweet Sixteen, Elite Eight, Final Four e a grande decisão), você acaba se envolvendo na brincadeira de maneira muito bacana. E o fato de todo mundo perguntar (de novo, todo mundo) "quem está no seu Final Four?" ou "alguém sabe quem ganhou Murray State x Colorado State"? só ajuda a botar lenha na fogueira.

Não acredita em mim?? Okay... Dá uma olhada na foto abaixo: Obama preenchendo o seu "Bolão Presidencial". Aliás, esta é uma tradição - como o "perdão ao peru", cerimônia anual na qual o presidente sai aos jardins da Casa Branca com a família para soltar perus presos numa gaiola (simbólico tributo aos bichanos mortos para os milhões de almoços de Ações de Graças pelo país afora). Sim, meus queridos(as) leitores(as), "bracketologia" é uma ciência!     


O meu bracket? Bom... É só a minha primeira tentativa e tentei não ser tão óbvio nas escolhas (afinal, a graça é apostar numas zebras). Passado o primeiro dia de jogos, acertei 11 de 16 confrontos - resultado bem ruinzinho, por sinal. E, claro, as zebras que eu escolhi (como Harvard batendo Vanderbilt - dããmmmm...) não se confirmaram. E alguns palpites certos - como a aposta no atual campeão nacional, UConn - viraram água (deu Iowa State). Há também os confrontos que eu comparo a questões da prova de Física na FUVEST: dá uma boa olhada nas alternativas e... tenta a sorte! (como em New Mexico x Long Beach State: deu New Mexico - e claro que eu errei!) 

Sei que tenhos poucas chances, e escolhi muitos resultados com o coração (em detrimento da razão). Quero muito que Michigan State chegue bem longe, mas apostar no título é muuuuito otimismo. Ainda mais batendo North Carolina na final. Mas beleza... Segue aí o meu bracket para você conferir!