sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Folia universitária

Nota do blogueiro: Cheerleaders rock... Não é, Faith No More??

Esportes universitários aqui nos EUA são um capítulo à parte - mesmo! Um fenômeno muito interessante...

A começar pela paixão, de atletas (que dão o maior gás na esperança de um dia chegar às ligas profissionais) e torcedores (alunos das escolas ou não: sem dúvidas, são os mais apaixonados da praça). Aliás, ainda vou escrever um post refletindo um pouco mais sobre os esportes universitários por aqui... Vale a pena se debruçar sobre isso!

O clima dos jogos universitários é diferente... Mais vibrante, energético, envolvente. Impossível ficar impassível - goste você de esportes ou não.

Enfim... Em 5 de fevereiro, dia do Super Bowl, decidi começar o domingão com uma viagem de 1h45 até a simpática East Lansing - capital do Estado de Michigan e casa da Michigan State University, dona de um dos programas esportivos mais tradicionais da forte conferência Big 10. O jogo? Michigan State Spartans versus (University of) Michigan Wolverines no basquete masculino. Um Fla-Flu (ou Ba-Vi, Gre-Nal, São Paulo-Corinhtians...) do esporte universitário - em qualquer modalidade, do golfe ao hockey.

Ingressos... Outra particularidade dos esportes por aqui... Se você não é adepto dos pacotes de temporada (season tickets, que agora começam a crescer aí no Brasil), prepare-se para botar a mão no bolso. Seu caminho para conseguir entradas para qualquer partida - especialmente clássicos - é a "cambistagem legalizada" dos Ticketmasters e StubHubs da vida. Aliás, aprendi que cambismo na porta do estádio aqui também é crime (mas, assim como por aí, todo jogo tem e todo mundo usa...).

Resultado: paguei quase 10 vezes o valor de face do ingresso por um assento fulambro, lá no alto da arquibancada - os famosos "nosebleed seats" (a piada com o nome é porque alguns setores são tão no alto do ginásio/estádio/arena que o seu nariz até sangra por causa da altitude). Mas eu tinha certeza que a experiência toda valeria o preço do ingresso hipervalorizado. E valeu mesmo...


A começar pela arena lotada - quem se deu ao trabalho de ler o meu post sobre os Pistons vai entender melhor. E a energia de uma arena lotada como esta, com o naipe de metais da banda de Michigan State dando a trilha sonora, mostra logo de cara que aqui o jogo é diferente...


Uma vantagem de sentar num "nosebleed seat" é ter uma visão panorâmica do ginásio - algo especialmente legal num jogo de casa cheia (e cheia de figuraças). Sabe aqueles caras que se pintam e se fantasiam para assistir aos jogos? Então, dá para ver vários... E a molecada do universitário capricha! Ah, é proibido vender álcool em jogo universitário - afinal, estamos todos num ambiente acadêmico, onde se cultua a sapiência... Mas nem precisa. A molecada é empolgada por natureza: pinta o corpo para aparecer bonito na telinha quando as câmeras de TV derem um close para os lances livres...


Ou se fantasia de personagem de gibi para se destacar na multidão de "caretas"...


Falando em torcida, preciso dar crédito aos visitantes. Sentei bem ao lado da moçada de Michigan. Imagine uns 50 gatos-pingados de amarelo no meio de muitos milhares vestidos de branco e/ou verde. Mas não é que os caras (e as meninas) cantavam o tempo todo, sem parar?? Coreografavam dancinhas, mandavam gritos de guerra em sequência, secavam os lances livres de MSU e vibravam muito a cada cesta (como se fosse gol), a cada bola roubada...


E ainda pegavam bonito no pé do técnico de Michigan State, o emblemático Tom Izzo. E ele é um ícone. Técnico de MSU há 17 anos, ele tem um histórico impressionante de 401 vitórias e 166 derrotas (ou seja: venceu mais de 70% dos jogos que comandou). Foi eleito quatro vezes o "Técnico do Ano" no basquete da NCAA (a liga que rege todos os esportes universitários por aqui). E mesmo se você não soubesse de nada disso, daria para sentir - pela paixão do cara  - por que ele é tão adorado pelos Spartans (e odiado pelos adversários). Sabe aquela história do técnico que "joga com o time"? Então, é ele!

 
Mas e o jogo?? Foi bem legal! Baita intensidade - como todo clássico deve ter - e muita velocidade - como todo jogo universitário tem. A defesa de MSU (marca registrada de Izzo) prevaleceu e conseguiu anular a estrela Tim Hardaway Jr. (filho do ex-astro da NBA Tim Hardaway), um armador de calibre que vem empurrando os Wolverines este ano. Embora disputado, o jogo nunca saiu do controle dos Spartans. Placar final, 64 x 54.

Duelo bacana, Spartans vitoriosos, boas fotos, hot dog honesto na lanchonete, experiência única... Mas ainda faltava uma coisa: o ginásio dos Spartans (Breslin Center) é famoso por ter uma estátua do meu jogador favorito na história da NBA (e dos Lakers): Earvin "Magic" Johnson, campeão nacional por MSU em 1979 (ano do meu nascimento) ao comandar os Spartans contra Indiana State, escola de um tal... Larry Bird. Esta final, aliás, é considerada até hoje o maior duelo - talvez entre todas as modalidades - da história da NCAA.

Rodei, rodei e finalmente achei!! Bom, toda estátua de bronze é meio parecida - a não ser que seja de Rodin ou Bottero. Mas preciso confessar que esta me deu arrepios... Homenagem muito legal - e merecida - ao eterno camisa 33 dos Spartans. Aliás, Magic não pôde usar este número ao se profissionalizar pelos Lakers, na segunda metade de 1979, porque ele já era usado por um tal Kareem Abdul-Jabbar: só o maior pontuador na história da NBA (38.387 pontos) e seis títulos de campeão da Liga (um pelo Milwaukee Bucks e cinco pelos Lakers), além de três títulos consecutivos da NCAA pela UCLA (University of California - Los Angeles). Por isso Magic acabou com a 32 púrpura-e-dourada (que ele também aposentou, assim como a 33 verde-e-branca dos Spartans).

Enfim, chega de falar... Olha só a estátua aí, nos melhores ângulos que consegui pegar!



Go White... Go Green! Go Spartans!! It's a kind of Magic... Oh, yeah!

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